quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sociedade numa sapataria…dava jeito!

Os meus filhos estão a crescer….quanto a isso não tenho dúvidas e se as tenho, as roupas e os sapatos que vestem e calçam não deixam margens para dúvidas…

No início desta semana, o mais velho queixava-se que os sapatos já estavam a ficar apertados…(o pormenor é que esses “sapatos” são umas botas de-uma-marca-muito-conhecida-e-muito-apreciada-pelos-adolescentes e que tinha estreado na semana anterior) e que os pés dele cresciam mesmo muito depressa..!

Aproveitando o discurso do irmão veio o outro reclamar que os dele também estavam apertados…e que era a última vez que os calçava (que feliz que estava ele, pois odeia os sapatos de “vela”)…

Às tantas a conversa estava animadíssima e eu não via maneira dos miúdos se despacharem ao pequeno-almoço:
-Mãe, eu não posso usar mais estes sapatos senão fico como o avô…
(O avô tem um problema nos dedos do pé, devido ao uso de botas muito apertadas quando foi para a tropa!)
- Não ficas nada! O avô era muito pobrezinho e andava descalço…e depois teve que calçar umas botas muito apertadas!!!
- Pobrezinho? O avô era pobrezinho? Morava numa barraca?
- Não…Morava na casa da mãe dele…lá no Alentejo…
- Ó mãe, se ele morava naquela casa será que aquela árvore enorme já lá estava?
- Ó filho..isso eu não sei, mas perguntas ao avô quando estiveres com ele no fim de semana tá?
- Tá mãe....coitado do avô...
- Mãe, isto é mesmo injusto...estou a ficar sem os meus sapatos preferidos e sem as minhas t-shirts preferidas, que chatice....
- É, e eu tenho que ficar com tudo que deixa de servir a ele..!!

Realmente é mesmo uma questão de "justiça" não???

O miúdo cresce...a olhos vistos, calça 42, tem roupa toda curta e apertada ainda antes dos 14 anos e é injusto..??!!

Injusto é a roupa e os sapatos não serem eláticos e não crescerem com eles!!!

( A verdade é que é gratificante vê-los crescer!!!!)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

E eis que está aberta a temporada da adolescência cá a casa….

Há alguns anos que vem pedindo licença…e vem se instalando…MAS nos últimos dias acredito que veio para ficar…pelo menos mais uns belos anos..já que há mais dois cidadãos residentes que aguardam na fila ansiosamente a entrada na adolescência………ou será antes, “aborrescência”…??

Fecha-se no quarto.

Solicita privacidade.

Sabe tudo (quem não se lembra desta fase estúpida?)

Tem tudo controlado (mal sabe ele que nada se controla nesta vida!)

Não quer ouvir nada (como os mais velhos são aborrecidos!!! SÓ-SE-APRENDE-COM-OS PRÓPRIOS-ERROS!!)

Não quer acompanhar os mais velhos.

Quer estar na rua com os amigos.
Anda de “humores”..virados!

….
E muito mais havia por dizer.
O irmão que-tem-quase-onze-anos ainda não o compreende (ele tem quase quatorze!) e passam a vida a embirrar um com o outro.
A miúda está a começar a “refilar” e a virar gente…”não quero esta roupa”! Não quero ir dormir já”! “Não gosto desta comida”!

O panorama está visto!!

Estou a pirar…é barulho a mais todos os dias…., de facto quando eram bebés era mais tranquilo…Segundo a visão da minha mãe, há que aproveitar pois o passo seguinte da casa absurdamente silenciosa é mais doído………..

Resta-me aproveitar  os (curtos) momentos pacíficos e guardá-los no coração para sobreviver à fase silenciosa!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Aos 40 ainda se aprende...

É o que constato.

Ainda se aprende grandes lições da vida.

A amizade não se impõe nem é instantânea...se não gostam de nós é importante que percebamos para não sofrer desilusões nem humilhações.

Dói, claro.

Depois de 40 anos, percebi que há uma pessoa muito próxima de mim que não gosta de mim....simplesmente não gosta.

Demorei mas percebi. "Ok, captei a mensagem".

Vivemos melhor assim, cada um na sua.

E eu que pensava que já tinha vivido tudo....

quinta-feira, 3 de março de 2011

As minhas dores de crescimento (III)

Cresceste muito depressa… Sabes que quero que cresças, mas podias ir um bocadinho mais devagar….por forma a não assustares tanto este coração de mãe…

Dizes-me para ter calma porque sabes o que queres. Dizes-me que queres ter uma namorada. Dizes-me que já podes estar sozinho em casa horas a fio….
Dizes-me ( do alto dos teus treze anos) que já não precisas de mim….Sei que dizes isto nos dias em que te chateio mais ou que as hormonas te confundem..

Sei que não é fácil ter treze anos…não sei se te lembras, mas eu também já tive treze anos…e também, como tu, senti-me, perdida, assustada, revoltada, desiludida (com os meus pais, com o meu corpo e com tudo à minha volta). Também não sabia se agia como criança ou como crescido.

Às vezes queriam que me portasse como crescido mas tratavam me como criança. Outras vezes tratavam me como criança mas esperavam que tivesse atitude de crescido…

Confesso que pensava que os adultos, sobretudo os meus pais não gostavam de mim…exigiam tanto de mim…………será que não percebiam que eu não conseguia???

Tinha vontade de abraçar o mundo com os dois braços…de ter tantas profissões…e ao mesmo tempo tinha vontade de não me mexer do sofá……..tão absorta ficava com os meus pensamentos e sonhos…

Sonhava com um mundo fantástico, que de facto só existia no meu imaginário fértil de doce menina de trezes anos…Sonhava que viveria num mundo de jogos limpos, onde os maus perdiam sempre e onde a verdade era sempre o mais importante.

Sonhei muito…desiludi-me mais ainda. Mas as desilusões e o desmoronamento do mundo cor-de-rosa que construí não me impediu de continuar a sonhar e de acreditar que o kmundo pode ser melhor todos os dias.

Sabes porque é que tu existes e porque és o menino especial que és??

Porque eu e o teu pai encontramo-nos e sentimos que os nossos sonhos valiam a pena………

Apesar do tanto que o mundo nos desiludiu.

Tu és um dos nossos sonhos.

Vale a pena sonhar.

Vale a pena acreditar.

Porque tu existes. Porque depois da tempestade vem sempre o Sol.

Sonha. Desilude-te…., acredita! Vale a pena!

Nós estaremos sempre cá para ti e por ti!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

N-o-v-e A-n-o-s

Nove anos de um dia que não queria ter vivido.

Nove anos de um dia que queria esquecer.

Nove anos do dia em que pensei que te perderia para sempre.

Nove anos do dia em que toda a vida passou a ter outro sentido e que o valor das coisas se alterou.

Nove anos em que morreu uma mãe que acreditava que tudo era maravilhoso e intocável e que nasceu outra, ciente de que a vida nos reserva coisas inimagináveis.

Nove anos que mais me parecem trinta pela distância que tem na minha memória.

Nove anos em que passei a ter a certeza que poderia viver sem muitas pessoas que amava mas que sem ti e sem o teu irmão nada me faria sentido.

Nove anos difíceis, algo doídos por saber que a vida para ti, não foi mãe, foi madrasta. Porque tu eras um bebé e não merecias as privações que tiveste.
Sei que serás sempre especial. Que tudo em ti é diferente. Nem poderia ser de outra maneira depois de tudo que viveste.

És o meu “anjo de asa partida”.

Agradeço a Deus todos os dias por que te mandou para mim.

Já me ensinaste mais nestes últimos nove anos do que a minha existência de quarenta.
Proponho que recordemos este dia, como uma chance de olhar para a vida com outros olhos…

Onde queres ir comemorar?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E pronto: último vestígio do meu bebé foi-se..

Ela cresce (eles crescem).

Cresce(m) muito depressa.

Depressa demais...e eu diria, sem pedir licença.

Ontem caiu o 1º dentinho à mais nova...aquele que só apareceu aos 10 meses!

Isto dos anos passarem muito depressa deprime uma mãe...Bolas!

Ainda há tão pouco tempo (pois...é verdade.., se calhar não foi há tão pouco tempo assim..!) tinha uns bebés lá por casa...que estavam a aprender a andar, a falar...Agora já questionam a sua própria liberdade ?!

Estou a ser egoísta, eu sei, a pensar só no meu sentimento de mãe-que-ainda-não-está-totalmente-preparada-para-ver-os-seus-passarinhos-aprenderem-a-voar...

Mas perante a felicidade deles da independência, da autonomia..sinto um misto de orgulho e nostalgia.

E segundo sei, a nostalgia é a saudade boa.

Quero que voem e que possam voar alto..

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A difícil tarefa de educar...

Quando eles eram bebés, a minha mãe passava a vida a dizer-me para aproveitar pois à medida que íam crescendo, tudo ía ficar mais difícil...e eu ía ter saudades de os ter ao colo...

Não duvidava, mas como quase tudo na vida, em que só aprendemos "às nossas custas", pensava que ela exagerava.

Neste momento, já não tenho bebés, tenho uma menina, um pré-adolescente, um (pleno) adolescente...e já tenho saudades de os ter ao colo!!!

Ainda não começaram as saídas nocturnas!

Sei que crescer não é fácil, são borbulhas e pêlos a mais em corpos de meninos grandes.
É a pressão. É a vontade de crescer com a dificuldade em assumir mais responsabilidades, o tomar decisões e recear assumir as consequências dessas decisões.

É o querer e o não querer.

É o amar e o odiar.

É a complicação de sentir coisas tão diferentes ao mesmo tempo.

Eu sei. Também tive 13 anos. Também me senti assim, perdida.

Já tive 13 anos mas ainda não tinha sido mãe de um jovem de 13 anos. (isto ao 2º e ao 3º custa menos, de certeza!)

É preciso cobrar...é preciso chamar à atenção, à razão...a vida não se contrói sem esforço, sem trabalho..e não é no "You Tube" nem com a viola, que vai subir as notas...

Não é perdoando e fingindo que está tudo óptimo que o ajudo.

É preciso que as regras sejam cumpridas.

É preciso que perceba que há limites para tudo.

E o que fazemos quando não sabemos se estamos a exigir demais?

Ter um filho de 13 anos é fácil, educar um filho de 13 anos é que é difícil....